Para o imaginário social, a Cartografia lida exclusivamente com mapas, sendo muito confundida com a própria Geografia. Cartografia é, na verdade, uma linguagem utilizada na produção de representações do espaço. Globos, maquetes, plantas, croquis, aerofotos e imagens de satélite são alguns exemplos de representações cartográficas.

No entanto, os mapas são, sem dúvida, o seu produto mais popular, e é compreensível sua associação com a Geografia, campo que promove a leitura espacial da sociedade, utilizando e elaborando, para isso, sínteses cartográficas. É essencial compreender como os mapas são pensados e elaborados.

Para isso, deve-se considerar que a Cartografia é um meio de comunicação e possui linguagem própria. Seus signos e símbolos são estabelecidos e convencionados por profissionais da área, e seu alfabeto básico é constituí-do de pontos, linhas e áreas.

A Cartografia se divide em dois grandes ramos:

A Cartografia se divide em dois grandes ramos:

Cartografia Sistemática: são os chamados mapas topográficos. “Topografia” é uma palavra originada do grego que, em tradução literal, significa “descrição de um lugar ou região”, o que explicita o objetivo desses mapas.

Em uma carta topográfica, são privilegiadas as informações naturais,
como relevo e hidrografia
  • Cartografia Temática: utiliza mapas para representar temas variados da Geografia Física ou Humana. É sub-dividida em:

− Qualitativa: quando os dados apontam elementos diferentes e não ordenáveis entre si.

Distribuição da malha rodoviária pavimentada pelo território nacional.

− Ordenado: elementos de aspecto ordenado são utilizados quando as informações representadas devem indicar uma ordem entre si, sem que o tamanho tenha uma importância específica.

Porcentagem de domicílios com energia elétrica no Brasil em 2013.

− Quantitativa: quando o objetivo é representar a intensidade dos dados.

Principais municípios produtores de batata.

Escala

A proporção matemática que nos informa a relação entre a área representada no mapa e a realidade chama-se escala. Os mapas são sempre uma representação reduzida da realidade.

O tamanho dessa redução é definido de acor-do com o objetivo do mapa, e essa redução é expressa por uma relação numérica que indica o número de vezes que a realidade foi reduzida, ou seja, sua escala.

A escala informa, portanto, o quanto a realidade foi reduzida para ser representada. Essa proporção é apresenta-da por meio da escala numérica ou da escala gráfica.

Escala gráfica e numérica

A escolha da escala deve ser feita com base na área a ser mapeada e no detalhamento que se deseja e se é capaz de obter.

Se o objetivo for representar um bairro urbano em uma folha de papel que caiba em uma escrivaninha, pode-se utilizar uma escala grande, como 1: 2 000, por exemplo.

Utilizando essa escala para fazer um mapa com dimensão de 1 metro por 1 metro, será possível representar uma área que na realidade tem 2 quilômetros por 2 quilômetros.

Nesse caso, como o detalhamento é grande, aparecerão as ruas e até mesmo as divisões dos lotes.

Mapas

No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), um mapa é definido como: “representação gráfica, em geral uma superfície plana e em uma determinada escala, com a representação de acidentes físicos e culturais da superfície da Terra, ou de um planeta ou satélite”.

A ABNT também apresenta uma definição oficial para carta: “representação dos aspectos naturais e artificiais da Terra, destinada a fins práticos da atividade humana, permitindo a avaliação precisa de distâncias, direções e localizações por meio de uma representação plana, geral-mente em média ou grande escala, de uma superfície da Terra, subdividida em folhas, de forma sistemática, obedecendo a um plano nacional ou internacional”.

As cartas topográficas são representações complexas, com muitas informações e que necessitam de um meticuloso levantamento topográfico (variações de altimetria) para traçar as linhas que unem pontos do relevo de igual altitude (curvas de nível ou isoípsas), o que permite a interpretação em três dimensões.

Quanto maior a distância entre as linhas – seu espaçamento – menor a declividade do terreno (áreas mais planas); e quanto mais próximas as linhas maior a declividade, indicando a presença de encostas e vertentes de morros e montanhas.

Outro modelo de representação são as anamorfoses. Como a preocupação central desse tipo de mapa não é a precisão do tamanho ou do formato das áreas representadas, mas, sim, a expressão dos dados, as formas originais acabam distorcidas e as áreas mudam de acordo com os valores dos dados.

A essa técnica damos o nome de anamorfismo. Essa palavra indica, justamente, que as formas não estão sendo respeitadas e que o tamanho das áreas é estabelecido de maneira proporcional aos dados considerados.

Perfil topográfico formado a partir das curvas de nível dos morros do
Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.
Exemplo de mapa anamórfico representando a população em municípios do estado de São Paulo

Projeções cartográficas

É importante ressaltar que os mapas são representações planas da realidade tridimensional.

A necessidade de trans-formar o que é tridimensional em bidimensional representa um dos principais desafios para os cartógrafos. Para lidar com essa dificuldade, os cartógrafos utilizam figuras geométricas, como o cilindro, o cone e o plano para projetar as formas da Terra. As projeções mais utilizadas podem ser classificadas em:

• Conforme: mantém as formas, mas distorce as áreas e as distâncias.

• Equivalente: mantém as áreas, mas distorce as formas e as distâncias.

• Equidistante: as distâncias são representadas correta-mente, mas há distorção das formas e das áreas.

• Afilática: distorce um pouco de cada uma das dimensões (formas, áreas e distâncias).

Podem também ser agrupadas em: cilíndricas, cônicas e planas.

Diferentes formas de projeções do globo terrestre para superfícies.

Os principais exemplos de projeções cilíndricas são:

Projeção de Mercator: essa projeção cilíndrica surgiu no século XVI e
utiliza a técnica conforme, pois mantém as formas, os contornos, mas
provoca grande distorção nas áreas da superfície representadas, prin-
cipalmente, nas regiões de maior latitude. Foi muito importante para o
avanço das navegações, já que permitia o traçado das direções em linha
reta sobre o mapa. Elaborada na época do predomínio europeu, serve a
propósitos ideológicos, por representar a Europa no centro do mapa e
em maiores proporções do que é na realidade, transmitindo uma visão
de centralidade e superioridade dos países europeus (eurocentrismo).
Projeção de Peters: essa projeção cilíndrica utiliza a técnica equivalente,
pois mantém as áreas das superfícies representadas, apesar de distorcer
suas formas. É tida como uma projeção terceiro-mundista, uma vez que,
confrontada com a projeção de Mercator, é mais fiel na comparação das
áreas entre os países. Enquanto no mapa elaborado por Mercator as áreas
dos países europeus parecem muito maiores do que realmente são, no
mapa de Peters, o destaque está na América Latina, África e Ásia. Ganhou
relevância nos anos 1970, quando muitos países subdesenvolvidos luta-
vam para afirmar sua independência.
Projeção de Robinson: é uma projeção afilática, isto é, não preserva as
áreas, as formas e nem as distâncias com rigor. As distorções das formas
e das áreas, no entanto, não são muito extremas, produzindo um pla-
nisfério bem equilibrado em termos visuais. Seu uso é interessante para
fins didáticos.

Já a projeção realizada sobre um plano, tangenciado apenas em um ponto, é chamada de plana ou azimutal. Úteis para a elaboração de mapas que buscam destacar uma região ou local que será representado ao centro. Apresenta paralelos em círculos concêntricos e meridianos em linhas retas.

Formas e áreas se deformam quanto mais se distanciam do centro do mapa. Se a projeção azimutal for equidistante, é ideal para medir as distâncias entre o centro do mapa e qualquer outro ponto. A projeção polar é um exemplo de projeção azimutal muito utilizada para a representação dos polos, que geralmente ficam bastante distorcidos em outros tipos de projeção.

Observe como a projeção plana azimutal preserva as formas próximas ao centro, apresentando distorções crescentes em direção às extremidades. Já a
projeção azimutal equidistante preserva as distâncias apresentadas, mais distorce as formas.

Sensoriamento remoto

Para chegar ao melhor resultado possível, isto é, a um mapa que expressa de maneira razoavelmente precisa as principais características físicas de uma área, os cartógrafos têm de realizar várias etapas em seu trabalho, sendo a primeira delas a obtenção de informações sobre o local a ser cartografado por meio do chamado sensoriamento remoto.

Basicamente, há dois tipos de sensores, os ativos e os passivos.

Tipos de sensores.

O geoprocessamento é uma das formas mais modernas de trabalhar dados cartográficos. Esse processo se utiliza de tecnologias chamadas Sistemas de Informação Geográfica (SIG), que são sistemas computacionais com softwares especiais para coleta, armazenamento, processamento e análise digital de dados georreferenciados, ou seja, que estão localizados espacialmente por meio de coordenadas geográficas. O SIG potencializa o estudo da superfície terrestre por facilitar a combinação de muitos dados organizados digital-mente.

As informações podem ser combinadas com diferentes mapas sobrepostos um sobre o outro, formando camadas e fornecendo sínteses a partir do cruzamento dos dados.

Sobreposição de camadas em um Sistema de Informação Geográfica (SIG).

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